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Sedação em odontologia: para quem e quando?

ImplantNews Reab Oral 2020;5(6):1006-7

A utilização de sedação em pacientes odontológicos tem aumentado substancialmente, principalmente em procedimentos cirúrgicos de implantodontia. Mas é uma boa alternativa? São todos os pacientes que se beneficiam desta técnica?

Como todas as técnicas, quando bem indicada encontra suas vantagens.  Vale notar que sucesso de uma cirurgia repousa não apenas na correta execução da técnica cirúrgica, mas também no relacionamento com o paciente, do conhecimento de sua condição clínica e, a partir disto, a escolha da técnica anestésica e prescrição pós-operatória. Desta forma precisamos conhecer as técnicas disponíveis e os perfis de pacientes, a fim de permitir uma indicação mais precisa ao seu paciente de cada técnica operatória.

            Técnicas anestésicas:

As técnicas anestésicas relevantes para a odontologia são a anestesia local-infiltrativa ou bloqueio de ramo nervoso; analgesia por óxido nitroso;  sedação via oral ou endovenosa; e, finalmente, a anestesia geral (tabela 1).

A anestesia local infiltrativa é uma técnica simples, que exige conhecimento anatômico específico, cujo objetivo é aplicar anestésico local na região em que se deseja manipular e, com isto, atingir as terminações nervosas na região, bloqueando assim o impulso nervoso aferente de sensibilidade dolorosa. Por necessitar de uma determinada quantidade de anestésico para atingir o efeito clínico desejado, há maior chance de toxicidade anestésica. Há ainda alteração anatômica da região, necessidade de múltiplas punções e bloqueio inadequado da propriocepção.

O bloqueio de ramo nervoso permite aplicação de volume menor do fármaco com bloqueio anestésico de qualidade. Porém há risco de punção inadvertida de vasos sanguíneos que acompanhem o trajeto nervoso, ou ainda de lesão nervosa acompanhada de parestesias.

O óxido nitroso é um gás anestésico de baixa potência, cuja concentração clínica ideal é de 100% pode ser letal. Sendo assim, seu uso seguro se restringe a subdoses clínicas, com concentração máxima de 70%. Utilizado isoladamente, gera uma analgesia de baixa intensidade, um efeito hipnótico leve e com possibilidade de depressão de fibras inibitórias e estímulo de fibras excitatórias, o que pode explicar seu efeito hilariante e agitação. Vale ressaltar que ele não possui efeito sedativo e seu uso clínico encontra espaço como droga coadjuvante em pacientes submetidos a procedimentos potencialmente dolorosos.

A sedação é a utilização medicamentos que acalmam o paciente e tem como sinônimos ansiólise, calmante ou tranquilizante.  A principal classe de medicamentos utilizados para a sedação são os benzodiazepínicos, que são agonistas dos receptores do ácido gama-aminobutírico (GABA) no sistema nervoso central (SNC), levando à depressão de todo esse sistema. É muito importante notar que, independentemente da via de administração escolhida, seja via oral, intramuscular ou endovenosa, o sítio de ação da medicação é o SNC. Sendo assim, todos os efeitos desejados ou indesejados da técnica são exatamente os mesmos, bem como os riscos. E o principal risco desta técnica é a depressão respiratória e a obstrução de via aérea superior, com consequente hipóxia. Justamente por isto o uso de comprimidos de benzodiazepínicos, apesar de técnica corrente, é desaconselhado.

A anestesia geral é uma técnica anestésica completa, em que conseguimos a analgesia somada a hipnose, relaxamento muscular e controle das funções vegetativas. Ou seja, temos um paciente sem dor, inconsciente e imóvel. Sendo assim, a anestesia geral é única técnica com previsibilidade e controle do paciente. É, de longe, a melhor alternativa e a mais segura de todas. A desvantagem é o custo e a necessidade de uma estrutura hospitalar para a sua realização.

Tabela 1: Técnicas anestésicas

 

            Tipos de pacientes:

Separaremos os pacientes em grupos, levando em consideração as diferenças fisiológicas e comportamentais. Desta forma temos as crianças, adolescentes, adultos, idosos e pacientes com necessidades especiais. (tabela 2).

A idade adulta é a fase da realização, do controle da própria vida. E isto gera grande pressão. Ao ser sedado, parte deste controle é perdido, e isto gera uma sensação de alívio. Já em crianças, o que caracteriza é a dependência. E se tiramos o controle dela, o medo da separação da mãe prevalece. Além disto, observando as tabelas 1 e 2, vemos que a principal causa de mortalidade em crianças e a principal complicação da sedação é a Hipóxia. Portanto a sedação em crianças não é a melhor alternativa. Já quando olhamos os pacientes especiais e os adolescentes, a qualidade da sedação é diretamente proporcional ao grau de independência do paciente.

Tabela 2: Tipos de pacientes

 

Mas qual a vantagem de sedar meu paciente?

Quando submetido a sedação, há a diminuição do consumo de oxigênio pelo miocárdio. E o estresse cardíaco é a principal causa de mortalidade em adultos. Portanto, ao controlarmos a pressão arterial e a frequência cardíaca, além de garantir uma oferta adequada de oxigênio, temos um cenário cirúrgico muito mais seguro. Além disto, o sangramento diminui, levando a uma cirurgia mais rápida, precisa e consequentemente com menor edema, menor taxa de infecção e dor no pós operatório.

Sendo assim, a sedação, como qualquer outra técnica, é uma excelente alternativa, desde que bem indicada para o paciente correto, sendo os adultos e idosos os que mais se beneficiam da técnica. É uma alternativa de custo-benefício interessante em comparação à anestesia geral, sendo muito mais segura e confortável quando comparada à anestesia local ou à analgesia por óxido nitroso, seja sozinha ou em associação com estas técnicas. Sobretudo, a sedação é ato médico de especialista, o médico anestesiologista. É animador observar esta integração crescente entre áreas, já que se trata de um caminho sem volta e que beneficia a todos – profissionais e pacientes. Isto gera segurança, conforto e qualidade ao paciente, que a cada dia tem se tornado mais exigente.

Ivan Vargas Rodrigues

Médico Anestesiologista

Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia

Membro da European Society of Anaesthesiology and Inensive Care

Mestre e Doutorando em odontologia

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